Tacto #2

Recentemente eu estive em contato com o Caio Paiva, um fotógrafo de Fortaleza morando em SP, e nós trocamos umas ideias massa sobre fotografia e é com muita honra que eu tive 4 fotos de minha autoria publicadas na edição #2 do zine Tacto. A edição ficou linda e pode ser conferida aqui (páginas 40-41/42-43), oh:

https://bit.ly/2uD35i2

Agradeço ao Caio pelo contato e espero que possamos colaborar em breve! :)

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Primeiro post e redes sociais

Oi :-)

Esse é meu primeiro post nesse blog. Eu nunca tive um blog, pra falar a verdade, mas sempre tive vontade de um dia ter um. Acho que agora chegou a hora, apesar de não conhecer praticamente ninguém que ainda mantenha um blog de forma consistente (tanto leitores quanto escritores). Houve uma migração pesada pra outras mídias nos últimos o quê, 5 anos, de consumo mais rápido (tipo YouTube, Netflix e afins) e com a ascensão das redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter, etc) o conteúdo ficou cada vez mais “enlatado” pra ser consumido cada vez mais rápido.

Escrevo esse post enquanto tento imaginar uma solução pra um impasse que me aflige nesse momento: sair ou não das redes sociais? Na verdade, a única conta ativa em rede social que eu mantenho é no Instagram. Deixa eu contar como começou minha história. Em 2012 eu morava em Fortaleza e tava terminando o primeiro ano do doutorado em Física na UFC. Recebi um convite pra fazer um estágio-sanduíche de 1 ano na Bélgica, numa cidade chamada Antuérpia. O estágio funciona assim: você faz 1 ano fora, volta ao país de origem e termina o que ainda falta. No meu caso, foi 1 ano no Brasil, 1 ano na Antuérpia e mais 2 anos no Brasil novamente.

Como eu tava dizendo, eu recebi o convite e aceitei de cara. Eu sempre tinha essa ideia de ir embora, de morar fora pra ter outras/novas experiências de vida e viajar por alguns lugares legais por aí. O curioso é que eu sai da casa da minha mãe aos 27 anos de idade (considerado uma idade avançada pra sair da casa dos pais) e a primeira vez que fui morar sozinho, já foi pra ir morar em outro continente, num país que tem 3 línguas oficiais (holandês, francês e alemão) e nenhuma delas é o inglês. Aceitei o desafio, arrumei minhas malas (e um monte de burocracia, acredite, a Bélgica é um país muito mais burocrático que o Brasil) e fui.

Quando eu cheguei na Bélgica, em 2012, eu tinha um celular meio ruim, que nem acessava internet direito, mas que dava pra usar o que eu precisava na época: Facebook e WhatsApp (que diga-se de passagem, ainda era uma criança nessa época e bem pouco usado). A maioria dos meus amigos usavam o Messenger do Facebook pra se comunicar e esses dois apps eram suficientes pra mim. Na verdade, eu usava muito pouco meu celular pra me comunicar. Além de não ter pra quem ligar na cidade nova, eu basicamente trabalhava o dia todo no computador, então usava e-mail (para coisas de trabalho), e o extinto GTalk (que agora virou Hangouts) em uma interface dentro do próprio Gmail.

Uma outra ferramenta que eu usava bastante era a câmera do meu celular. Eu havia ido sem nenhum equipamento fotográfico (não necessariamente precisava ser profissional, mas nem uma câmera point-and-shoot fuleira eu tinha). Eu precisava [queria] documentar a cidade de alguma forma pra poder mostrar aos meus amigos e familiares como era por lá, então o celular caiu como uma luva pra essa tarefa. Quanto mais eu fotografava, mais eu pegava gosto pela parada e aprendia no dia-a-dia sobre composição, luz e edição (na verdade eu explorava muito aqueles filtros bem bregas das primeiras versões do Instagram). Com o YouTube à disposição, o aprendizado inicial foi até rápido, e alguns meses depois de começar a tirar minhas primeiras fotos, eu descobri o Instagram. O conceito do app era (é) bem simples: tire uma foto, suba a foto na sua linha do tempo (feed) e deixe as pessoas (em geral, amigos no meu caso) curtirem (ou não), comentarem (ou não) a sua foto.

Pulando pra 2018, e pro meu impasse, acredito que nem preciso descrever o que o Instagram se tornou hoje: uma mega plataforma pra autopromoção exagerada. Sinto que o buraco é bem mais embaixo do que eu estou disposto a discutir nesse texto, mas o meu principal sentimento é (e pra mim é até difícil confessar isso) o de… vício. Me sinto muito compelido a olhar as atualizações a todo instante. Quantas vezes pegamos o celular pra abrir algum app, sabendo que não vai ter nada novo pois verificamos há 60 segundos atrás? Já conversei com algumas pessoas sobre isso e o sentimento parece ser (quase) unânime: nós somos viciados em likes.

Isso faz sentido, claro que gostamos de ser queridos, de ter nosso trabalho reconhecido, faz parte da natureza humana se sentir acolhido por outros membros da espécie, é até um instinto de sobrevivência. Mas o que as redes sociais têm feito nos últimos tempos tem sido massacrante. E se isso afeta pessoas adultas conscientes, cujo caráter já estão formados, imagina o que tá fazendo com as gerações mais novas, com o pessoal de 10, 11, 12 anos que acabam tendo a percepção (errada) de que eles só serão valorizados/validados se tiverem uma conta com muito likes, muitos comentários e um feed lindo e perfeito, onde todo mundo é feliz. Isso cria a falsa sensação de que devemos ser felizes o tempo inteiro, a todo custo. Quais os males que essa necessidade por exposição vai causar no futuro a gente ainda não sabe. Os nossos cérebros (e especialmente os das pessoas mais jovens) vão sendo moldados quimicamente por inputs externos, que, como eu falei, estão cada vez mais longe da realidade.

Eu entendo que o problema não tá nas redes sociais em si, mas como nós estamos utilizando essas ferramentas. A internet (e as redes sociais inseridas dentro desse contexto) têm sim aspectos importantes: facilitou a comunicação entre as pessoas (WhatsApp e afins) e abriu portas para o compartilhamento do conhecimento (Wikipedia e afins).

Como fotógrafo, meu impasse ainda continua, e eu realmente não sei se devo parar de usar ou não o Instagram. Eu sinto que há pontos positivos em ter uma conta: expor e divulgar o trabalho, conhecer pessoas de outros cantos do mundo que possuem o mesmo interesse fotográfico que o seu e criar um networking. Mas os pontos negativos que eu citei no texto (e no meu caso específico, a compulsão por estar sempre checando o app e o celular) talvez sejam fortes suficientes pra me fazer desistir (pelo menos por um tempo) do Instagram e manter meu trabalho fotográfico exposto apenas nesse site. Pode ser que assim eu coloque meu foco no que realmente gosto de fazer: fotografar.

Antigamente o mote era “sai da TV e vai ler um livro”. Acho que ele precisa de um update (ehe) pros tempos atuais.

[edit] Recebi alguns feedbacks sobre esse post, e o gostaria de compartilhar um texto que, coincidentemente, saiu ontem 30/01/2018 no The Atlantic, onde o autor discute (de forma bem mais articulada do que aqui) o papel das redes sociais nos modelos de mercado atuais. O texto tá aqui, e em tradução livre o título é “Todos os seguidores são falsos seguidores”.